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“Todos estão tendo voz e vez na discussão e debate de temas relevantes para o segmento”

“Todos estão tendo voz e vez na discussão e debate de temas relevantes para o segmento”

Marcelo Tesserolli, Turismólogo, Mestre, Presidente do Fórum Nacional dos Cursos de Turismo e Hotelaria, Diretor da Rio Private Host Turismo e Membro Efetivo da ABBTUR- RJ é o nosso entrevistado de hoje.

Na condição do presidente do Fórum Nacional dos Cursos de Turismo e Hotelaria, ele participa como conselheiro do Conselho nacional de Turismo (CNT) e informa estar percebendo que ainda falta maior integração entre as entidade, mas admite que todos estão tendo voz e vez na discussão e debate de temas relevantes para o segmento.

“É sempre um prazer poder contribuir para o desenvolvimento do turismo no país, e suas perguntas são muito pertinentes, visto que a atividade no Brasil ainda carece de melhor integração por parte dos participantes do trade.

O CNT assume papel de grande importância para o turismo nacional e tem hoje 68 entidades públicas e privadas, que, em acordo com a Política Nacional de Turismo, constantemente, debatem e sugerem ações para a melhoria da atividade turística; sejam elas na promoção, divulgação, operação, regulação, capacitação e no fomento do turismo no país.
Com objetivo de organizar e potencializar as ações do CNT, foram criadas ainda, seis câmaras temáticas que aprofundam as discussões acerca de assuntos relevantes ao trade como marketing e comercialização; legislação, qualificação profissional, regionalização e turismo responsável”, observou Tesseroli.

Representatividade

“Sem sombra de dúvida, acrescentou Marcelo Tesseroli, a participação das entidades setoriais é fundamental para a representatividade de todos os segmentos nas decisões tomadas e nas ações implementadas. Dessa forma, é garantida a consideração da voz de todos e de cada um, em consonância com a democracia brasileira”.

Aumento de competividade

Na opinião de Marcelo Tesseroli, “o novo Governo tem reconhecido a importância do turismo para o desenvolvimento nacional e se mostrado muito interessado em discutir propostas com o trade”.

Ele está acreditando em articulações que venham a redundar em ações práticas e positiva. “Acredito e espero que este deve ser o tom que vai prevalecer no Planalto: muitas propostas, articulações e oportunidades com objetivo de aumentar a competitividade do turismo no Brasil. Devem ter grande relevância os temas relacionados sobretudo, aos investimentos em infraestrutura básica e turística; promoção e comercialização do turismo, além de ações relacionadas à qualificação, regulação e legislação específica e tributária”, relacionou.

Tesseroli aguarda também “melhorias em equipamentos turísticos, rodovias, terminais de acesso, portos e aeroportos; revisão da carga tributária do setor; fomento à participação em eventos nacionais e internacionais; negociação com outros países para facilitação/eliminação do processo de vistos de entrada; adequação da legislação específica já aprovada (como por exemplo a Lei nº 12.591/12, que regulamenta a profissão do Turismólogo e carece de detalhamento) são, no meu entendimento, algumas das prioridades que devem ser pautadas”.

Para o presidente do Fórum Nacional dos Cursos de Turismo e Hotelaria, outra aspecto importe está relacionado com capacitação e qualificação. “A qualificação profissional na área também precisa ser analisada pois, os poucos cursos de graduação em turismo e hotelaria estão fechando em todo o Brasil e as possibilidades de qualificação na área estão cada vez mais escassas. Com o crescimento do turismo, corremos o risco de, em breve, não termos profissionais qualificados suficientes para atuar na gestão e na operação do setor”.

Ferramenta de desenvolvimento

Sobre aquilo que espera da missão do CNT, Marcelo Tesseroli, observou:

“Como descrito acima, creio que o CNT tem atuado de forma fundamental para a articulação entre os entes público e privado para o debate em prol da melhoria do turismo, como ferramenta de desenvolvimento para o país. Entretanto, acredito que a entidade poderia ter ainda uma atuação pontual mais frequente e regionalizada”.

Agente é profissional que agrega valor

E qual a importância no entendimento do presidente do Fórum da figura do agente de viagens neste contexto dos debates pró turismo e da sua atuação (via ABAV) no CNT?

“O agente de viagens – acentuou Tesseroli - é o elo fundamental da cadeia do turismo. Grande responsável pelo desenvolvimento e pela manutenção da sustentabilidade no turismo. Sabemos dos enormes desafios pelos quais as agências estão passando, sobretudo após a virtualização do mercado... Mas ele é peça insubstituível na operação do turismo de qualidade”.

E prosseguiu: “O agente de viagens é o profissional que mais agrega valor quando falamos em informações do mercado, dos destinos e das atrações. Age literalmente como um embaixador do destino, possuindo um enorme conhecimento da causa, e assim tem contribuído muito, através da atuação da ABAV, também no CNT, para o fortalecimento do turismo país”.

Quanto aos debates e propostas que dominam atualmente as reuniões e estão nas metas do Conselho Nacional de Turismo, Tesseroli apresentou a sua visão.

“Têm sido muitos os assuntos discutidos e as propostas levadas pelas entidades, mas podemos citar aqui algumas ações pontuais, com o principal objetivo de aumentar a “competitividade turística” do Brasil, que já estão surtindo efeitos. Em primeiro lugar, a virtualização do processo de aquisição de vistos para os turistas provenientes dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália pode facilitar muito a entrada no Brasil de turistas destes países”.

OMT e Números

Tesseroli, estudioso e interessado, citou dados relevantes em análise pelos conselheiros no CNT.

“Ainda não temos os números oficiais por segmento mas, em comparação com 2017, os primeiros seis meses de 2018 (após a implantação do visto eletrônico) há um acumulado de cerca de 83% de aumento no volume de desembarques internacionais, e a previsão da OMT – Organização Mundial do Turismo é que a entrada de turistas estrangeiros no país pode aumentar em até 25%. Entretanto, o trade, através da participação no CNT, continua lutando pela eliminação total da exigência de vistos de entrada para os referidos países, o que, certamente potencializaria o tráfego entre as nações, a exemplo do que ocorre em outros países da América do Sul, como Argentina e Chile.

Em segundo lugar, a mudança da legislação para admitir uma maior participação do capital estrangeiro nas cias, aéreas pode aumentar muito a competitividade no setor, beneficiando agentes do trade e consumidores. E por último, a flexibilização da legislação tributária, permitindo a cobrança

diferenciada de impostos em alguns dos insumos do setor, como o combustível das aeronaves”, concluiu Marcelo Tesseroli, revelando todo o seu preparo e a forte disposição de participar de forma efetiva nas discussões e na busca de desenvolvimento do turismo brasileiro.

Agente de Valor
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